11/02/2015

Resenha: Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

Título: Fahrenheit 451
Autor(a): Ray Bradbury
Gênero: Distopia; ficção científica
Editora: Biblioteca Azul
Nº de páginas: 215
Ano: 2012
Encontre: Skoob
Avaliação: Ótimo
Escrito após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1953, Fahrenheit 451, de Ray Bradubury, revolucionou a literatura com um texto que condena não só a opressão anti-intelectual nazista, mas principalmente o cenário dos anos 1950, revelando sua apreensão numa sociedade opressiva e comandada pelo autoritarismo do mundo pós-guerra. Agora, o título de Bradbury, que morreu recentemente, em 6 de junho de 2012, ganhou nova edição pela Biblioteca Azul, selo de alta literatura e clássicos da Globo Livros, e atualização para a nova ortografia. A singularidade da obra de Bradbury, se comparada a outras distopias, como Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, ou 1984, de George Orwell, é perceber uma forma muito mais sutil de totalitarismo, uma que não se liga somente aos regimes que tomaram conta da Europa em meados do século passado. Trata-se da “indústria cultural, a sociedade de consumo e seu corolário ético – a moral do senso comum”, segundo as palavras do jornalista Manuel da Costa Pinto, que assina o prefácio da obra. Graças a esta percepção, Fahrenheit 451 continua uma narrativa atual, alvo de estudos e reflexões constantes. O livro descreve um governo totalitário, num futuro incerto, mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instalados em suas casas ou em praças ao ar livre. A leitura deixou de ser meio para aquisição de conhecimento crítico e tornou-se tão instrumental quanto a vida dos cidadãos, suficiente apenas para que saibam ler manuais e operar aparelhos. Fahrenheit 451 tornou-se um clássico não só na literatura, mas também no cinema. Em 1966, o diretor François Truffaut adaptou o livro e lançou o filme de mesmo nome estrelado por Oskar Werner e Julie Christie.
Eu adoro distopias e há muito tempo eu queria ler alguma mais antiga. Eu ouvi sobre Fahrenheit 451 há bastante tempo, mas só agora resolvi lê-lo. Escrito por Ray Bradbury, o livro foi publicado originalmente em 1953 e ganhou uma adaptação para os cinemas em 1966

Guy Montang tinha tudo para ser um bombeiro comum, isso se ele não vivesse em uma sociedade onde o papel desempenhado pelos bombeiros não é apagar incêndios, mas dar início a eles. Na verdade, o papel dos bombeiros é destruir todos os livros. Isso mesmo, os livros são proibidos e quem os possuir será no mínimo preso.

Segundo eles, os livros são como armas e é preciso queimá-los para proteger a paz de espírito da população, já que as pessoas podem atingir níveis de conhecimento diferentes, gerando assim conflitos. Até aí tudo bem, pois Montang sempre gostou do que fazia e se sentia feliz por dar continuidade ao trabalho de seu pai e seu avô e, mais do que tudo, achava que estava fazendo o acertou.

Voltando para casa, ele conhece Clarisse McClellan, uma garota de apenas dezessete anos, mas diferente da maioria. Isso porque ela gosta de falar sobre coisas que as outras pessoas já não prestam atenção, como a chuva, a lua, as folhas. A partir daí, Montang começa a perceber que nem tudo é o que parece ser. Mesmo cercado de muitas pessoas, ele percebe que está sozinho.

As pessoas parecem não se conhecer e ele nem mesmo lembra como e quando conheceu sua mulher, Mildred, que passa o tempo inteiro interagindo com a "família", que na verdade são pessoas em grandes telas nas paredes de sua casa. É aí que Montang percebe que algo precisa ser feito.
[...] Caminharam ainda mais um pouco e a garota disse:
- É verdade que antigamente os bombeiros apagavam incêndios em lugar de começá-los?
- Não. As casas sempre foram à prova de fogo, pode acreditar no que eu digo.
- Estranho. Uma vez me disseram que, muito tempo atrás, as casas pegavam fogo por acidente e as pessoas precisavam dos bombeiros para deter as chamas.
Ele riu.
O livro pode ter sido escrito na década de 50, mas ele apresenta uma forte crítica aos dias atuais também, já que as pessoas estão se entregando cada vez mais à tecnologia e esquecendo o mundo real. Além de não se preocuparem mais com o mundo à sua volta, só com o seu mundinho aparentemente perfeito. As pessoas estão se tornando cada vez mais alienadas, isso é fato!

Caso você não esteja entendendo muito bem, vou explicar melhor:
A alienação é a diminuição da capacidade dos indivíduos em pensar ou agir por si próprios. Os indivíduos alienados não têm interesse em ouvir opiniões alheias, e apenas se preocupam com o que lhe interessa, por isso são pessoas alienadas. Um indivíduo alienado pode ser também alguém que perdeu a razão, está louco. Fonte.
Pense comigo, não é exatamente isso que vemos nos dias de hoje? Quer dizer que o autor estava adivinhando o futuro? Não, mas se em 1953 alguém escreveu sobre isso, quer dizer que a sociedade já estava assim ou estava caminhando para isso, correto? Sem falar que ele foi publicado em um período pós-guerra, e todos sabemos que guerras são marcadas por repressão, conflitos, manifestações...

É por isso que eu adoro distopias, pois elas sempre têm uma mensagem a passar. E o autor soube fazer isso perfeitamente. Os personagens foram muito bem desenvolvidos e a história se desenrolou de um jeito incrível! A capa dessa edição ficou muito bonita e deu um toque de modernidade ao livro. A leitura é super fácil e se você estiver disposto a entrar de cabeça no mundo de Montang e se imaginar no ambiente do livro, melhor ainda.

Fahrenheit 451 é uma leitura fundamental para os amantes de distopias, como eu. É um livro que, com certeza, eu vou ler mais vezes e absorver alguma coisa a cada nova leitura. Mas se você ainda não leu nenhuma distopia, você pode muito bem começar por essa, as chances de você se arrepender são mínimas. O que você está esperando para começar a lê-lo? Abraços, até a próxima!

29 comentários:

  1. Oi Gleydson, tenho muita vontade de ler esse livro, de conhecer essas distopias mais antigas. Parece muito boa a história, tenho certeza que eu iria adorar!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/

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    1. É ótima, tenho certeza que você iria adorar também. Obrigado pela visita, beijão! <3

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  2. Oi Gleydson!
    Eu também gosto muito de distopias (principalmente as clássicas) e "Fahrenheit 451" é uma das minhas favoritas. É realmente incrível como a história e o cenário parecem tão atuais.
    O texto do Bradbury é vibrante e realmente nos leva a mergulhar na história. Foi o único livro que li do autor, por enquanto, mas pretendo ler outros (a começar por "As Crônicas Marcianas").
    Beijos
    alemdacontracapa.blogspot.com

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    1. Preciso ler mais distopias clássicas, depois de Fahrenheit 451 ter me conquistado! Obrigado pelo carinho! :)

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  3. Olá Gleydson;
    Não conhecia este livro, e confesso que me assustei com o título,
    mas pela resenha parece ser bom. Quem sabe um dia eu me depare com ele
    e de uma chance a essa leitura.

    Beijos querido.
    http://cabinedeleitura1.blogspot.com.br/2015/02/yoko-ono-e-john-lennon-ineditos.html

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    1. Dê uma chance mesmo, acho que você irá gostar. Obrigado pela visita!

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  4. Olá, sempre fui curiosa sobre ler esse livro.
    Adorei a resenha.
    Amo distopias clássicas, tenho que ser sincera e dizer que nunca li uma distopia atual (o que quero muito), mas as clássicas são perfeitas.

    http://whoosthatgirrl.blogspot.com.br

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    1. Sério que nunca leu uma atual? Apesar de muitas terem virado modinhas, são muito boas também! Vou ler mais distopias clássicas. Obrigado pelo carinho!

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  5. Ai nem, não gosto muito de clássicos, sabe. Falta muita paciência para lê-los.

    Inquietudes Secretas

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    1. Não sabe o que está perdendo, haha. Dê uma chance, beijos!

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  6. Sim, com certeza Fahrenheit 451 é um desses livros atemporais e vemos cada crítica neles feita presente na nossa sociedade atual. Eu adorei o livro, sem mais. Não é todo maquiado com romance. O livro é todo é uma mensagem, inspiração, uma crítica, um universo que, como você disse, a cada releitura vamos aprender algo novo.

    Beijos!

    orocardovento.blogspot.com

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    1. Você disse tudo, Aline! Que bom que concordamos, não é? Obrigado pelo carinho!

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  7. Olá, estou apaixonada pelo seu blog
    Amo blogs literários e fico horas lendo resenhas hahaha
    Já tinha visto esse livro e achei a premissa bem interessante. Não sei se leria no momento pois não me atacou aquela vontade grande de ler, sabe?
    Apesar de você escrever super bem!
    Beijooos, e já estou seguindo aqui, é claro!
    Sucesso

    Siga lá: www.gemices.com.br

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    1. Nossa, muito obrigado <3 Talvez não seja o seu estilo literário favorito. Obrigado pelo carinho, já segui o seu também!

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  8. Ola, tudo bem?
    Adorei sua resenha! Faz um tempinho já que quero ler Fahrenheit 451, mas acabo nunca comprando ele! Já vi várias resenhas positivas sobre ele e isso me deixa muito curiosa.
    Também gosto disso nas distopias! Gosto de livros que trazem críticas sociais.

    Abraço!
    http://www.livrosesonhos.com/

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    1. Exatamente. Na próxima oportunidade, não exite em comprá-lo! Beijos!

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  9. Eu sou fã assumido de distopias e tenho essa em casa, mas ainda não tive tempo de ler. Porém, pretendo ler ainda esse ano, pois preciso fazê-lo para realizar um trabalho da pós.

    M&N | Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de fevereiro. Você escolhe o livro que quer ganhar!

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    1. Leia mesmo, é um ótimo tema para ser tratado! Obrigado pela visita!

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  10. Também amo distopias, ainda não li o livro mas sei que é um clássico, gostei muito da resenha.
    Sucesso, Abraços.
    http://litaralmentelivros.blogspot.com.br

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    1. Que bom que gostou, Arthur. Obrigado pela visita!

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  11. Olá,
    Sempre leio vários comentários sobre essa obra, mas nunca cheguei a conhecer a história de fato, a verdade é que me faltam oportunidades, rsrs. Mas ADOREI a resenha e seu blog é lindo <3.
    Beijos.
    Memórias de Leitura - memorias-de-leitura.blogspot.com

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    1. Obrigado <3 Assim que tiver uma oportunidade, agarre-a! Beijão...

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  12. Ah, eu estou APAIXONADA por esse livro. Comprei alguns livros recentemente, aproveitei comprar vários pra pegar frete grátis, mas esse eu infelizmente não conhecia, só fui saber dele um dia depois de ter comprado os outros... uma pena, porque amei a história toda, preciso comprar logo!
    Beijos
    http://www.vidaemmarte.com/

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    1. Uma pena mesmo. Não deixe de comprar na próxima oportunidade, beijos!

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  13. Olá!
    Primeiramente, adorei o layout do seu blog, muito legal! Agora falando da resenha: Eu quero muito ler este livro, já está na minha lista de livros que preciso ler, e ainda mais agora com a sua resenha, estou com mais vontade ainda!

    http://refugiorustico.blogspot.com.br/

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    1. Fico agradecido, Maria! É bom saber que consegui te deixar com mais vontade ainda de ler. Obrigado pelo carinho!

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  14. Não costumo ler muito distopias (não sei por quê).
    Coloquei Fahrenheit na minha meta de leitura de clássicos pra esse ano. Espero lê-lo em breve, sua resenha me deixou bem animada!!
    Abraços

    Seguindo e curtindo,
    http://umaleitoravoraz.blogspot.com.br/

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    1. Quem sabe Fahrenheit 451 te deixe com vontade de ler outras distopias e você não as abandone nunca mais, hahaha. Beijão <3

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  15. Oi, Gleydson! Até o momento não vi um comentário negativo sobre esse livro, o que me faz acreditar que ele deve ser mesmo sensacional. Tenho muita vontade de conhecer essa história e tenho quase certeza de que irei amar. Essa capa da editora Biblioteca Azul é linda! Beijos!

    http://frases-perdidas.blogspot.com.br/

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